O prato dos venenos e da destruição de ecossistemas

Pelo menos 25 mil casos de intoxicação por agrotóxicos e 1.186 mortes foram registados pelo governo brasileiro entre 2007 e 2014, com muitos dos casos ligados ao uso de herbicidas glifosato em monoculturas. Os números, na realidade, podem ser muito maiores. Um estudo recente da FIAN observou que, para cada caso notificado pelo sistema de saúde do Brasil, “haveria mais 50 casos não registados” de intoxicação por agrotóxicos no país.

Uma coisa que permanece não revelada nos rótulos dos produtos é que as monoculturas produzidas em massa empobrecem o solo, ao eliminar os seus nutrientes e enfraquecer a sua capacidade de sustentar o crescimento saudável das plantas. Fatigado e esgotado, o solo tem que ser continuamente bombardeado com fertilizantes químicos e pesticidas para manter a alta produtividade.
A forte dependência das monoculturas desses agroquímicos tóxicos não afeta apenas o solo e as safras nele cultivadas. Os agrotóxicos também poluem o ar que respiramos, infiltram-se no solo, contaminam a água que bebemos e envenenam aquíferos, riachos, lagos e rios, de onde obtemos os nossos alimentos.
Essas mesmas fontes de água também se esgotam à medida que são usadas para irrigar monoculturas sedentas que são cultivadas em plantações onde uma camada significativa de solo superficial é perdida para reter água devido ao cultivo mecânico. Isso, por sua vez, ameaça ecossistemas frágeis, como pântanos, que abrigam uma grande variedade de vida selvagem e espécies de plantas que dependem dessas fontes de água para sobreviver.
Também empobrecidos, explorados e ameaçados por esse sistema alimentar estão os trabalhadores, as suas famílias e as comunidades locais, que estão altamente expostas aos agrotóxicos usados na agricultura industrial.
Por exemplo, no Brasil, os pesticidas pulverizados em milhões de hectares de terras principalmente plantadas com monoculturas (como soja) resultaram em inúmeros casos de mortes e doenças.
Por fim, todos nós estamos expostos a alimentos e bebidas com resíduos de pesticidas.

Por que procuramos essa forma de produção de alimentos, apesar de todos os seus malefícios? Quem se beneficia com isso?